quinta-feira, 7 de julho de 2011

LOG BOOK DE VIAGEM: Viena



Ausblick aus Wien

30/06/2011

Por Danielle Denny e Helena Charro,

Estudantes de comunicação, estávamos em um subgrupo de 5,5 pessoas (5 adultos e um bebê de 5 meses) que juntos viemos para Viena estudar um pouco mais de 1 semana.

Fomos selecionados para participar de um evento sobre knowledge, media and society, com Thomas Bauer, na Universidade de Viena.
 
Depois de um vôo longuíssimo, com 2 escalas, uma no Rio de Janeiro outra em Frankfurt, chegamos a Viena numa noite ainda ensolarada.

Pela primeira vez conhecemos um sérvio, que nos ajudou muito a retirar carrinho de BB e bagagens no aeroporto de Frankfurt. Apesar de apenas cuidar das bagagens do aeroporto, falava cinco línguas.

Depois de tanta logística e de um banho dormimos um pouco. De madrugada com muita sede levantamos para descobrir que apesar de o frigobar estar vazio, havia, em frente ao hotel, um pub lotado com mais de 10 tipos de cerveja. E meia quadra daqui uma barraquinha de "wurst" as super salsichas vienenses.  Jantar e balada resolvidos de uma única vez. 
Torre de Babel




Por Danielle Denny

Domingo 03/07/2011

Os estudos da manhã foram sobre construção do conhecimento na nova sociedade midiática. Tudo que sabemos do mundo e da sociedade é através da mídia. Comunicação constrói o conhecimento. Podemos fazer um esquema que inclui tudo que sabemos entre os paralelos: sonho, realidade, arte e ciência. A gradação entre esses diferentes pólos é fundamental, não se trata de maneira alguma de um sistema maniqueísta.

Interessante notar que o termo sociedade do conhecimento é um termo usado desde a década de 60 em substituição à sociedade industrial. Contudo atualmente ocorre uma industrialização do conhecimento. Para alguns estamos na era da mediocridade. Há sim uma democratização das informações, mas não há uma efetiva distribuição do poder, da confiabilidade, então não há uma democratização do conhecimento.

No horário do almoço um grupo de estudantes sérvio-brasileiros visitamos uma igreja em que Bethoven tocava. Pequena mas muito bonita. Ao lado dela havia loja tipo floricultura, que vendia só maconha. Apesar de estar fechada, por ser domingo, era muito curiosa.

Na parte da tarde estudamos casos concretos da Turquia e da China. Nos sentimos na torre de babel. A mesma pessoa falava ora turco, ora alemão, ora inglês. A pergunta era numa língua a resposta em outra.

Incrível a qualidade das séries televisivas turcas. Pena que no Brasil não são distribuídas. E como no Brasil o uso do celular é muito abrangente na China. Teoricamente todo chinês tem celular e acessa a internet por ele. Há uma co.operação entre indústria, universidade e governo, chamada triple play policy.

Sem a efetiva democratização do conhecimento as futuras gerações vão ter acesso a informações produzidas pelos 20% mais ricos de hoje que efetivamente estão produzindo os conteúdos e modulando os sistemas de hoje que serão usados no futuro.

Há um mito sobre a inclusão global da internet. Na verdade, sempre há exclusão. Mesmo que um pais dê acesso completo a seus cidadãos ele estará excluindo os não cidadãos. Alem disso, quanto maior a capilaridade menor a memória. Assim, quanto mais fácil e acessível é a produção na internet, menos o conteúdo se torna relevante. Aumenta a memória física, o número de bytes armazenados, mas isso não significa que aumenta a memória cultural que depende da relevância e da memória.

Depois de tanto estudar, uma visita ao museu de arte moderna foi o que nosso pequeno grupo de estudantes chino-brasileiros decidiu fazer numa tarde fria (13graus Celsius), chuvosa e com vento. Experimentamos uma curiosa bebida: cerveja misturada com água tônica.














Aniversário em Vienna

Por Danielle Denny

Segunda 04/07/2011

Que lugar legal para passar o aniversário! Ainda mais porque o tempo mudou , o sol abriu a temperatura aumentou e miraculosamente a ventania  foi substituída por uma brisa agradável.

No período da manhã os palestrantes brasileiros brilharam. A apresentação de Eugênio Menezes sobre tambores de água tirou o fôlego de uma platéia que apesar de não entender a narração do rádio se encantou com a música. Também houve uma palestra sobre festivais de jazz de Luiza Amaral, sobre as Bienais de Vinicius Spricigo e sobre a rádio de Heliópolis de Sérgio Pinheiro da Silva.

Na hora do almoço descobrimos uma casa de chás na qual Diez e eu tomamos uma mistura específica para aniversariantes. Muito boa! E compramos misturas para assegurar boas noites de sono, bom humor e boa sorte. Não sei se funcionam mas pelo menos são bem cheirosos e coloridos, devem ser gostosos (ainda não tive tempo de provar).

Na parte da tarde a maioria dos painéis foram sobre especificidades da Turquia. Fui tradutora das perguntas na palestra de Renata Sieiro Fernandes sobre desenhos animados (Cartoon Serials and TV memories). Houve também uma palestra interessante sobre a cobertura jornalística no Tibet (Reconstructing journalism authority a retrospecto f foreign correspondents journalism. Practice in covering Tibet Riot. O palestrante foi Jin Qian).


Ganhei da delegação turca um lenço azul com detalhes dourados e um nazar boncuğu (a pronúncia é algo como nazaar bonjuur) pingente com os “olhinhos azuis” que espantam mal olhado. Fui a única agraciada, disseram que foi por eu ter feito perguntas em prol da entrada da Turquia na União Européia (a entrada da Universidade de Istambul na liga das universidades européias não é um enorme avanço para romper com o impasse em que a Turquia é economicamente interessante na União Européia, mas culturalmente ameaçadora?). A razão verdadeira deve ter sido por ter sido meu aniversário mesmo.


No final da tarde visitamos a rádio mais famosa da Áustria, uma rádio pública. As rádios são financiada por uma taxa específica (quase 200 euros anuais pagos por todos os cidadãos). A O3 além dos repasses públicos recebe dinheiro de publicidade Fizemos uma entrevista com Konrad Mitschka, representante da O3 que nos recepcionou.

À noite chegamos ao hotel tão tarde que o restaurante/pub da frente não servia mais comida. Mas tomamos cerveja e eu apaguei a velinha que servia de decoração do lugar.


Pressão, pressão

Por Danielle Denny

Terça 05/07/2011

Antes de iniciar os painéis cantou-se parabéns novamente. Curioso como o sentimento de vergonha mistura-se com alegria e orgulho. As bochechas ficam vermelhas e quentes, parece que em instantes o sangue vai começar a jorrar pelos olhos.

Durante o período da manhã preparei meu discurso de agradecimento e fiz os ajustes finais na minha apresentação prezi.

No almoço um prato típico e meio litro de cerveja com gosto de lichia.

Filmei a palestra de Helena Charro sobre Long Dance um ritual místico. E pedi para filmarem a minha também.

Chegada a tão temida hora, o nervoso me fez abrir umas15 vezes um mesmo link com som alto e o fato de ser um Apple dificultava o restabelecimento da normalidade. Nas perguntas sabatina pesada sobre conceitos. Inclusive sobre conceitos de Norval Baitello, tendo o próprio na platéia. Evitei delongar as respostas para não falar bobagem.

Depois de um banho, em grupo fomos  beber e jantar. Como o combinado era o Quartier Museum fomos para lá de trem. Nos desencontramos do grupo mas encontramos um austríaco que também tinha ido para lá direto, Nick.

Com ele voltamos para a Rathaus, perto da universidade, onde o grupo decidiu ficar ao passar a pé. Tomei um drink típico Beereebowl, muitas frutas vermelhas com vodka e club soda.

Heuriger
Por Danielle Denny


Quarta 06/072011

As palestras da manhã foram muito interessantes. Uma sobre pichações de rua, por Diogo Andrade Bornhausen. Outra sobre o site African Voices, por Stefan Ossmann. E a útima sobre conhecimento intangível (aquele tipo de saber que não se passa por escrito, algo intrínseco, uma receita de bolo da mãe por exemplo nunca dá tão certo porque falta o toque especial que é o conhecimento intangível

Almoçamos no centro cultural Sarg Fabrick www.sargfabrik.at (que em português quer dizer fábrica de sarcófagos). Antes que os leitores entrem em pânico, esclareço que não há nada fúnebre, pelo contrário, a antiga atividade deu origem a um ambiente bem liberal. Há inclusive uma Badehaus, piscina voltada para o público GLBT

Participamos de um programa da TV comunitária Okto http://okto.tv/ que será acessível online. O principal ponto foram as perspectivas da comunicação no contexto das novas mídias, com diferentes enfoques: Brasil, Alemanha, Kosovo, Austria e Itália.


O organizador da escola de verão, Thomas Bauer, foi de carro só para nos dar uma carona. Nos levou até um Heuringer, casa de vinhos em que se serve vinho verde (novo e branco) no jardim, em “salinhas” delimitadas por plantas. As comidas também eram sensacionais, várias receitas típicas.

Global community on science of communication
Por Danielle Denny

Quinta-feira 7/7/2011

O encerramento foi bem emocional, regado a champanhe. Muitos demonstravam seu sofrimento de dizer adeus. Afinal tivemos dias muito produtivos, experimentando a comunicação como um processo vinculativo que cria valor público. Um verdadeiro exemplo de comunicação intercultural.





Thomas Bauer ressaltou que estamos em busca de novos paradigmas para observar, não para agir. Precisamos observar o que estamos fazendo, prestar atenção para a diversidade. Com diferentes metodologias, formamos uma comunidade global de estudo da comunicação.

Em seguida Christian Müller, da agência de notícias austríaca APA, contou a dificuldade que tinha há uns 10 anos para noticiar ciência, conseguia apenas um artigo sobre ciência e outro sobre educação diariamente. Hoje está bem melhor, produz em média 10 artigos por dia. Os próprios pesquisadores reconhecem a importância de divulgar à população os resultados de seus estudos. Algumas universidades já têm uma área de relações públicas bem estruturada.

Sendo assim, em 10 anos, a Áustria criou a cultura das universidades informarem o jornais sobre suas pesquisas. E segundo Müller, é possível fazer dinheiro com notícias sobre ciência. Os políticos têm de gastar dinheiro público, então o governo subsidia página semanal sobre ciência nos jornais. Além disso, universidades têm interesse em divulgar como foi gasto o dinheiro público do incentivo à pesquisa para continuar recebendo os aportes. Sendo assim, há um grande mercado para matérias pagas. O que de certa forma impacta a independência do jornalista.


Outro ponto impactante do encerramento foi o de que as pessoas passam mais tempo na mídia, em média 10 horas por dia, mas menos tempo em cada uma das mídias individualmente. Sofremos da síndrome da eficiência.
















Alguns momentos paralelos mas possibilitados pelo congresso:
















































































































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Quem sou eu

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Professora universitária na FAAP e UNIP. Integra as Comissões de Mídia e Entretenimento do IASP e da OAB/SP. Pesquisa questões ambientais internacionais, transformações jurídicas decorrentes da Internet, mutações do capitalismo globalizado e metodologia. Tem graduação em Direito, especializações em Diplomacia Econômica, Tributário, Política e Relações Internacionais, mestrado em Comunicação Social na Contemporaneidade. Faz Doutorado em Direito Ambiental Internacional com bolsa CAPES. http://lattes.cnpq.br/8898848038418809